Como a economia surgiu na história da humanidade?
A economia é a ciência que estuda como as pessoas e as sociedades produzem, distribuem e consomem os bens e serviços que satisfazem as suas necessidades e desejos. Mas como essa ciência se originou? Quando e onde as pessoas começaram a usar conceitos e ferramentas econômicas para organizar as suas atividades e relações?
Não há uma resposta definitiva para essa pergunta, pois a economia é um fenômeno complexo e dinâmico que envolve aspectos culturais, políticos, sociais, ambientais e históricos. No entanto, podemos traçar algumas linhas gerais que nos ajudam a compreender a evolução da economia ao longo do tempo.
A economia na pré-história
Os primeiros seres humanos que habitaram o planeta eram nômades, ou seja, viviam se deslocando de um lugar para outro em busca de alimentos, água e abrigo. Eles não tinham uma noção de propriedade privada, nem de moeda, nem de mercado. A sua economia era baseada na coleta, na caça e na pesca, e na divisão do trabalho entre os membros do grupo. Eles também praticavam o escambo, ou seja, a troca direta de bens e serviços sem o uso de intermediários.
Essa forma de economia é chamada de economia de subsistência, pois visa apenas à sobrevivência e não à acumulação de riqueza. Ela é caracterizada pela baixa produtividade, pela escassez de recursos e pela dependência da natureza.
A economia na antiguidade
Com o surgimento da agricultura e da domesticação de animais, cerca de 10 mil anos atrás, os seres humanos começaram a se fixar em determinados locais, formando as primeiras aldeias e cidades. Eles passaram a cultivar plantas e a criar animais para o seu consumo e para o comércio. Eles também desenvolveram técnicas de irrigação, de armazenamento e de transporte de alimentos. Eles inventaram a escrita, a contagem, a medida e o calendário. Eles criaram as primeiras leis, as primeiras religiões e as primeiras formas de governo.
Essa forma de economia é chamada de economia agrícola, pois se baseia na produção de alimentos e de matérias-primas. Ela é caracterizada pelo aumento da produtividade, pela diversificação dos produtos e pela formação de excedentes. Ela também favorece o surgimento de classes sociais, de hierarquias e de conflitos.
Nessa época, surgiram as primeiras civilizações, como a Mesopotâmia, o Egito, a China, a Índia, a Grécia e Roma. Cada uma delas desenvolveu a sua própria cultura, a sua própria política e a sua própria economia. Algumas delas criaram as primeiras formas de moeda, de mercado e de comércio internacional. Algumas delas também se destacaram pela sua contribuição para o pensamento econômico, como os gregos, que foram os primeiros a usar o termo economia (do grego oikonomia, que significa administração da casa) e a discutir questões como a riqueza, a pobreza, a justiça, a distribuição e a escassez.
A economia na idade média
Com a queda do Império Romano, no século V d.C., a Europa entrou em um período de instabilidade política, social e econômica, conhecido como Idade Média. Nesse período, predominou a **economia feudal**, que se baseava na relação entre senhores e servos. Os senhores eram os donos das terras, dos castelos e dos exércitos. Eles concediam aos servos o direito de cultivar uma parte da terra em troca de trabalho, de impostos e de proteção. Os servos eram os camponeses, que viviam em condições precárias e submissas. Eles produziam o suficiente para o seu sustento e para o do senhor.
A economia feudal era uma economia fechada, autossuficiente e estática. Ela não estimulava o comércio, a inovação, nem o crescimento. Ela também era influenciada pela Igreja Católica, que condenava a usura, o lucro e a acumulação de riqueza.
No entanto, a partir do século XI, a Europa começou a experimentar algumas mudanças que afetaram a economia feudal. Entre elas, podemos citar:
- O aumento da população, que gerou maior demanda por alimentos e bens;
- O desenvolvimento da agricultura, que aumentou a produção e os excedentes;
- O renascimento das cidades, que se tornaram centros de comércio, de artesanato e de cultura;
- O surgimento da burguesia, que era a classe dos comerciantes, dos artesãos e dos banqueiros, que buscavam o lucro e a liberdade econômica;
- O aparecimento das corporações de ofício, que eram associações que regulavam a produção, a qualidade e o preço dos produtos;
- A expansão marítima, que permitiu o contato com novas terras, novos povos e novos mercados;
- A reforma protestante, que contestou a autoridade da Igreja Católica e defendeu a ética do trabalho e da poupança.
Essas mudanças deram origem à economia mercantilist, que se baseava na busca pelo acúmulo de metais preciosos, como o ouro e a prata, que eram considerados a fonte da riqueza e do poder. Para isso, os países europeus adotaram políticas de protecionismo, de colonialismo e de balança comercial favorável. Eles também estimularam o desenvolvimento da indústria, da navegação e do comércio.
A economia na idade moderna
No século XVIII, a Europa passou por uma revolução que transformou radicalmente a sua economia, a sua sociedade e a sua política. Essa revolução foi a Revolução Industrial, que consistiu na aplicação de novas tecnologias, de novas fontes de energia e de novas formas de organização do trabalho à produção de bens. A Revolução Industrial aumentou a produtividade, a eficiência, a qualidade e a quantidade dos produtos. Ela também criou novos setores, novos mercados e novas demandas.
A Revolução Industrial deu origem à economia capitalista, que se baseia na propriedade privada dos meios de produção, na livre iniciativa, na concorrência, no mercado e no lucro. Nessa economia, os agentes econômicos são os consumidores, os produtores e o Estado. Os consumidores são os que demandam bens e serviços para satisfazer as suas necessidades e desejos. Os produtores são os que ofertam bens e serviços para obter lucro. O Estado é o que regula e intervém na economia para garantir o bem-estar social.
A economia capitalista é uma economia dinâmica, inovadora e competitiva. Ela também é uma economia desigual, instável e conflituosa. Ela gera riqueza, mas também gera pobreza, desemprego, inflação, crises e conflitos.
Nessa época, surgiram os primeiros economistas, que se dedicaram a estudar e a explicar o funcionamento da economia capitalista. Entre eles, podemos citar:
- Adam Smith, considerado o pai da economia moderna, que defendeu a liberdade econômica, a divisão do trabalho, a lei da oferta e da demanda e a mão invisível do mercado;
- David Ricardo, que desenvolveu a teoria das vantagens comparativas, que explica o comércio internacional entre os países;
- Thomas Malthus, que alertou para o problema do crescimento populacional e da escassez de recursos;
- John Stuart Mill, que defendeu o utilitarismo, que busca maximizar a felicidade e minimizar o sofrimento das pessoas;
- Karl Marx, que criticou o capitalismo, que considerou um sistema explorador, alienante e contraditório, e propôs o socialismo, que seria uma transição para o comunismo.
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